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A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

No início do encontro, o Pedro, participante do colóquio e estudante de ciências sociais, introduziu alguns conceitos importantes que aparecem nos capítulos que seriam trabalhados, como a reforma protestante e a figura de Lutero.


O protestantismo é uma das três principais divisões do cristianismo, junto com o catolicismo e a ortodoxia. Originou-se com a Reforma Protestante, um movimento contra o que seus seguidores consideravam erros na Igreja Católica. Em sua essência, os protestantes rejeitam a doutrina católica romana da supremacia papal e dos sacramentos. Eles enfatizam o sacerdócio de todos os crentes, a justificação pela fé em vez das boas obras e a autoridade da Bíblia sozinha.


O protestantismo começou na Alemanha em 1517, quando Martinho Lutero publicou suas 95 Teses como uma reação contra abusos na venda de indulgências pela Igreja Católica Romana, que pretendia oferecer remissão de pecado aos seus compradores. No século XVI, o protestantismo se espalhou da Alemanha para outros países, em grande parte devido a criação da imprensa de Gutemberg.


Filiação religiosa e estratificação social

No primeiro capítulo do livro, após uma análise de países que possuem um sistema religioso misto, Weber afirma que os trabalhadores modernos mais qualificados e os principais líderes empresariais capitalistas eram, em sua maioria, protestantes. Dessa forma, ele desenvolve o capítulo com o objetivo de compreender o triunfo do capitalismo moderno como causa ou consequência da Reforma Protestante de Lutero.


Constatamos, porém, que a afirmação de Weber carrega um viés ideológico e, de certa forma, um pouco preconceituoso. Ao mencionar o antigo provérbio “coma bem ou durma bem”, Weber apresenta o católico como aquele que prefere dormir bem, mesmo com uma renda baixa. Por outro lado, o autor declara que os protestantes possuem um espírito mais empreendedor.


Além disso, apesar da Alemanha ter sido berço de grandes pensadores e economistas católicos, o autor, em nenhum momento, cita algum deles em seu livro.


O espírito do capitalismo

Neste capítulo, Max Weber busca explicar a essência do capitalismo. É interessante destacar que o capitalismo que o autor destaca em seu estudo vai além de um sistema apenas econômico. Ele não fala aqui do capitalismo industrial, mas sim de um sistema cultural que se desenvolve a partir de um sistema de valores.


Para compreender o conceito que dá título ao capítulo, Weber cita alguns princípios de Benjamin Franklin, que era sobretudo, um político norte-americano. Ele idealiza os ideais de Franklin, apresentando-o como um empreendedor capitalista. Diante disso, o questionamento do grupo foi: por que Weber fala de Benjamin Franklin e não cita outros economistas? Dentre as hipóteses, duas foram as mais discutidas:


1 - Possivelmente, Weber evitou citar economistas alemães para que sua tese obtivesse uma ampla aceitação;


2 - Ou ele pode ter escolhido citar um homem que não era economista pois o seu objetivo era compreender o espírito do capitalismo, não o sistema em si.


O autor ainda não deixa claro o que é o espírito do capitalismo, mas podemos ver que, para ele, a contabilidade é feita pelo empreendedor e aponta para o crescimento individual. E, no protestantismo, quando o homem é chamado por sua vocação, sua profissão também se torna um deus e a sua vida passa a ser guiada, do início ao fim, pelo seu ofício.


Por fim, concluímos que Weber continua sendo lido nos dias de hoje porque criou um método inovador dentro dos estudos de ciências sociais, sua estrutura metodológica permite que ele desenvolva e conclua sua tese de forma precisa e organizada.

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