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Qualidade de Vida & Felicidade

Atualizado: 12 de Jun de 2019



No dia 25 de maio de 2019, o Instituto Braudel promoveu mais um encontro para leitura e discussão do livro “O novo iluminismo: em defesa da razão, da ciência e do humanismo”, de Steven Pinker, capítulos 17 – Qualidade de Vida, e 18 – Felicidade.


Qualidade de vida O capítulo sobre qualidade de vida nos traz uma importante observação: essa maior qualidade de vida generalizada é devida aos avanços mostrados em todos os outros capítulos, nas áreas de saúde, segurança, geração de riqueza, expansão do conhecimento, expectativa de vida etc. É graças a uma alta na expectativa de vida que hoje é possível pensar em aposentadoria e em como ter uma vida mais longeva e saudável.

Um ponto de destaque nesse capítulo e que, segundo Pinker, em muito contribuiu para o aumento da qualidade de vida, é a distribuição de energia elétrica. No Brasil, a política “Luz para todos”, que teve por objetivo levar energia elétrica para as regiões mais afastadas do país, resultou em maior qualidade de vida, principalmente para as populações que moram nos sertões e que viveram muitas gerações sem energia elétrica e sem equipamentos que fazem muita diferença em termos de qualidade de vida como uma geladeira ou um ventilador, por exemplo.


Ainda assim, há uma ressalva importante a se fazer. Pinker afirma que “Hoje, se você não estiver lendo, conversando, passeando ou edificando sua vida de outros modos à noite, não é porque não pode pagar pela iluminação”. No entanto, vale lembrar que, embora seja muito mais barata do que décadas atrás, a energia elétrica ainda não é um bem de acesso universal e muitas pessoas, de fato, não podem pagar para ter esse serviço.


Felicidade O capítulo sobre felicidade não aborda uma questão básica: o que seria felicidade? Ao debater isso com o grupo, chegamos à conclusão de que felicidade é muito relativa. Lembramos de frases célebres sobre o tema, como a de Hemingway, “A felicidade não é muito divertida”. O filósofo francês Henri Bergson se debruçou sobre este tema e defendia que a felicidade consistia em fazer as coisas bem-feitas e ter um propósito na vida; é no fazer que se sente a alegria do criador. Há ainda outros que defendam que a felicidade está relacionada à conquista de objetivos. A título de curiosidade, Butão, um país asiático bastante isolado, é considerado o país mais feliz do mundo.


Uma crítica ao livro é o fato de que, além do conceito de felicidade ser muito fluido, é muito difícil medir níveis de felicidade ao longo dos séculos, pois o que existe hoje e que pode contribuir para maior felicidade não existia séculos atrás. Além disso, Pinker escolhe dados que o ajudem a defender sua teoria, mas a percepção geral do grupo é que as pessoas hoje não estão necessariamente mais felizes com tantos avanços. Casos de depressão, ansiedade e suicídio têm se multiplicado de maneira alarmante, principalmente entre os jovens.

Porém, se Pinker confirmasse que a felicidade geral não aumentou, isso poderia invalidar muitos dos argumentos que estão no livro. Afinal, se todo o progresso da humanidade não culminou em mais felicidade, então qual o sentido desse progresso? Todos esses avanços resultaram no fato de estarmos mais conectados uns com os outros, tendo mais empatia?


Solidão Em alguns trechos do livro, Pinker fala sobre a solidão e a ideia generalizada de que vivemos uma época em que as pessoas são cada vez mais solitárias.


Nesse ponto, vale ressaltar que há diferentes graus de solidão e que às vezes ela é necessária, no sentido de recolhimento e reflexão. Basta lembrar que muitos artistas precisam se isolar por algum tempo para produzirem suas obras. Beethoven, por exemplo, criou sua obra-prima quando estava ficando surdo e se isolou para poder compor.


Quando benéfica, a solidão se apresenta como uma fase, e não como um estado permanente. Associada à introspecção, a solidão pode resultar em um pensamento mais claro e em um maior autoconhecimento. Isso implica em aprender a gostar da própria companhia e saber ficar sozinho.


Também foi levantado que há diferentes tipos de pessoas solitárias. A pessoa que vive completamente isolada do contato humano e que não está em estado de loucura é um caso bastante raro. Porém, há pessoas que se sentem solitárias mesmo cercadas por uma multidão.


Outro ponto importante é que as casas estão ficando cada vez menores e o consumo de bens materiais aumenta a cada ano. Isso não afetaria o nível de felicidade das pessoas? Não contribuiria para maiores níveis de isolamento?


Ansiedade e depressão Outro tópico importante diz respeito à ansiedade. Pinker nos lembra de “A Era da Ansiedade”, de W. H Auden, poema em língua inglesa do meio do século XX. O ponto de partida foi o período que Auden passou na Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra, enviado por uma instituição norte-americana para observar os efeitos psicológicos devastadores do conflito. Deu-se conta, horrorizado, de que as ansiedades provocadas pela guerra não se evaporaram quando ela chegou ao fim – ao contrário, se acentuaram.


Pinker defende que, ao contrário do que se diz, o mundo não vive um surto de depressão. Ele mostra que se até alguns anos atrás era necessária a identificação de muitos sintomas para se chegar ao diagnóstico de depressão, hoje em dia o diagnóstico se dá com um número menor de sintomas, o que teve por resultado um aumento de pessoas consideradas deprimidas. Há também graus diferentes de depressão. Em um estágio extremo, a pessoa com depressão fica imobilizada, incapaz de fazer atividades simples do seu dia a dia. A depressão também pode ser episódica e aprofundar um autoconhecimento, inspirando maior produtividade posteriormente.


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