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  • Redação

O Povo Contra a Democracia

Updated: Nov 29, 2019

No dia 05 de outubro de 2019, o Instituto Braudel promoveu um encontro para leitura e discussão do livro “O povo contra a democracia” de Yascha Mounk - Prefácio à edição brasileira, Introdução - A perda das ilusões e Conclusão - lutar por nossas convicções.


O povo está contra a democracia?

Antes de iniciar a leitura, refletimos sobre o título do livro: O povo contra a democracia. A população estaria descontente com o sistema político pela falta de representatividade, pela corrupção generalizada, pela insegurança e pela escassez de mudanças significativas com reflexos no cotidiano. Além disso, a ascensão da extrema direita e uma série de eleições de populistas autoritários abalaram as instituições democráticas.


Porém, mesmo diante das confusões de Trump nos Estados Unidos e de Bolsonaro no Brasil, a democracia se mantém. Winstnn Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, disse que a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais. Apesar das imperfeições, a democracia sobrevive e ainda é o melhor sistema, já que permite que as ideias sejam compartilhadas, que vários grupos e partidos coexistam, apesar de seus distintos interesses. O livro faz um convite à defesa deste sistema que aparentemente está sendo ameaçado em várias partes do mundo.


Populistas autoritários

Logo no Prefácio à edição brasileira aparece o termo “populismo autoritário”. No livro, a definição para “populismo” aparece como uma reivindicação de representação exclusiva do povo, sem a necessidade de tolerar a oposição ou de respeitar as instituições independentes da democracia liberal.


De acordo com João Marcelo Ehlert Maia, sociólogo e professor da FGV Rio, a primeira dificuldade de definir populismo é que o conceito varia das Ciências Sociais para o vocabulário do debate político contemporâneo, além de assumir diferentes significados de acordo com o momento histórico e o país.


O uso comum desse conceito na América Latina nos remete a década de 40 e 50, sendo os principais exemplos os governos de Getúlio Vargas no Brasil, Perón na Argentina e Cárdenas no México. As principais características desses governos de massa eram uma forte presença do Estado, um discurso anti-imperialista e um apelo ao nacionalismo.


De forma geral, o que une os distintos conceitos de populismo são os discursos e ideologias que unificam o povo, mobilizando sua “raiva” contra as elites. William Shakespeare nos apresenta um líder populista em uma de suas obras: Júlio César. Os presidentes populistas apelam pelos esquecidos, como fez Fidel Castro, em Cuba e como faz Trump, nos Estados Unidos. Neste sentido, podemos comparar esses dois presidentes.


Quanto ao adjetivo “autoritário” que acompanha o termo populista, não há uma definição clara no livro. Ainda no prefácio, consta a informação de que atualmente as quatro democracias mais populosas do mundo são governadas por populistas autoritários. Praticando o exercício proposto pelo Colóquio, de debater e questionar as ideias colocadas nos livros, observou-se que nos EUA o governo pode ser considerado populista, mas não é autoritário, visto que o presidente não tem controle nem apoio do Congresso ou da mídia.

Já a Rússia é governada por um presidente autoritário, mas que não poderia ser considerado populista.


A estabilidade democrática em jogo

Na introdução, o autor pontua três importantes características da democracia que proporcionaram sua manutenção, mas que já perderam sua validade nos dias atuais. São elas a confiança de que o sistema proporciona uma rápida melhora na qualidade de vida da população, a predominância de um único grupo étnico ou racial no poder e o domínio exclusivo das elites econômicas e políticas sobre os meios de comunicação.

Nos dias de hoje, a falta de esperança por mudanças, relacionada aos tão comentados casos de corrupção, a crise de representatividade diante do empoderamento das minorias e a rápida expansão da internet e das redes sociais, que transformaram todos em produtores e difusores de conteúdo, aceleram a instabilidade do sistema e emergem as necessidades de reestruturações que possibilitem sua permanência, de forma ainda mais democrática.