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  • Redação

O Povo Contra a Democracia, Segundo Encontro

Updated: Nov 21, 2019

Colóquio sobre as Instituições - Novidades

O próximo encontro promovido pelo Instituto Braudel para leitura e discussão do livro “O povo contra a democracia” de Yascha Mounk será no dia 09/11 e faremos a leitura da “Parte 3: Remédios”


No dia 19 de outubro de 2019, realizamos o último encontro e lemos a “Parte 2: Origens”. Segue um resumo dos principais pontos discutidos no colóquio.


Origens da desestabilidade democrática

Vemos que algumas condições teriam garantido a estabilidade da democracia desde o seu surgimento, mas agora sofreram mudanças que já não permitem mais tal sustentação. São elas o predomínio dos meios de comunicação de massa, a rápida melhoria de vida e os grupos étnicos. Hoje, as mídias sociais, a estagnação econômica e as diferenças culturais estariam abalando essa estabilidade democrática, anteriormente assegurada. Durante o colóquio, conversamos sobre como esses desafios afetam o regime democrático no nosso país.


As mídias sociais

Antes de iniciar a leitura deste capítulo, lemos um artigo publicado no The Wall Street Journal sobre a rede de apoio dos adultos aos jovens manifestantes de Hong Kong. As redes sociais permitiram que os adultos se organizassem para dar suporte a juventude que lidera os movimentos nas ruas e enfrenta a repressão policial. Fica muito evidente o papel essencial das mídias sociais na articulação desses manifestantes e apoiadores em Hong Kong.


No livro, Yacha Mounk comenta que a internet possibilitou a comunicação um-para-muitos, o que antes era possível apenas para os meios de comunicação de massa. São apresentadas vantagens e desvantagens dessa nova tecnologia. Da mesma forma que a internet possibilitou que os cidadãos organizassem movimentos, como o de Hong Kong, ela também permitiu a disseminação de notícias falsas, incitação de ódio e confusões, como aconteceu nas eleições dos EUA e também do Brasil.


As novas tecnologias fundaram a terceira fase da comunicação do mundo. A invenção da escrita e depois a invenção da gráfica modificaram as relações humanas e agora a internet surge com novos impactos e desafios. No encontro, os jovens comentaram sobre a importância de verificar as fontes e fazer leituras críticas de toda a informação que chega pelas redes sociais. A educação midiática é um dos caminhos para formar cidadãos-internautas mais conscientes e engajados. Comentamos que, diferentemente de Hong Kong, o Brasil ainda não despertou o real potencial de organização da internet a favor da democracia.


Estagnação econômica

A recuperação da crise de 30, o impulso da 2º guerra mundial, o surgimento de novas tecnologias e a formação de instituições de cooperação internacional provocaram um crescimento econômico no período entre 1945 e 1970 sem precedentes na história. Porém, crescimento econômico não se traduz em desenvolvimento econômico. A desigualdade social e o fenômeno da concentração de renda são desafios mundiais que afetam a democracia.


Os dados mostram que os jovens “millennials” sofreram perdas salariais e não viveram melhoras no padrão de vida como as gerações anteriores. Essas informações do livro são de pesquisas feitas nos Estados Unidos e na Europa e não há uma referência ao contexto latino-americano ou ao contexto asiático.


No grupo, comentamos sobre o caso da China, que tampouco aparece no livro. Discutimos sobre as causas que explicariam o desenvolvimento econômico no país e o alto investimento em educação foi levantado. No contexto econômico do Brasil, as classes emergentes melhoraram de vida. A última publicação do Braudel Papers, “O povo mudou,” escrita por Mariel Deak, mostra os avanços das classes CDE do país e destaca que são conquistas do período democrático. A próxima publicação do Braudel Papers, “O enredo do medo” escrito por Norman Gall, apresenta a necessidade emergente de novos líderes para a sustentação do enfraquecido sistema político brasileiro e para guiar o país por novos rumos econômicos.