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Tão próximos, mas tão diferentes

Atualizado: 28 de Jun de 2019

Capítulo 1 – Tão próximos, mas tão diferentes

Iniciando a leitura, o primeiro capítulo do livro começa apresentando as diferenças entre duas cidades com o mesmo nome, Nogales: uma fica em Arizona, nos Estados Unidos e, a outra, em Sonora, no México. Embora as cidades estejam muito próximas uma da outra, as diferenças no padrão de vida de seus habitantes são muito significativas. Enquanto o acesso a serviços públicos e a qualidade de vida fazem parte da rotina dos habitantes da Nogales americana, a corrupção e a incompetência dos políticos tem por consequência uma vida bem mais difícil para os habitantes da Nogales mexicana.


Posto que não há grandes diferenças climáticas em ambas as cidades e que seus cidadãos possuem ancestrais comuns e, a princípio, possuem uma mesma cultura, os autores voltam alguns séculos na história para tentar explicar o motivo de tantas discrepâncias.

Ao revisitar o processo de colonização dos Estados Unidos e do México, fica evidente que tal processo não se deu da mesma forma nos dois países – o que acarretou consequências que perduram até os dias atuais. Um dos fatores que determinou o modelo de colonização mexicana pelos espanhóis foi a descoberta de ouro e metais preciosos, o que impulsionou a vinda de milhares de colonos que criaram sistemas de trabalho forçado para as populações nativas. Explorar a população e os recursos naturais fazia parte da estratégia de colonização, de forma que não foram criados os incentivos necessários para que tanto a população nativa quanto os colonos trabalhassem a terra e gerassem riqueza; afinal, toda a riqueza iria diretamente para as mãos da coroa espanhola, de forma que não valia à pena dedicar esforços e energia em algo que não lhes traria retorno.


Nos Estados Unidos, o processo de colonização foi muito diferente. As colônias ricas de metais preciosos já haviam sido colonizadas pelos espanhóis e portugueses, de forma que, aos ingleses, não sobrou muita coisa. Embora houvesse por parte dos colonos o desejo de seguir o modelo mexicano de exploração, logo ficou claro que aquela terra não possuía ouro nem metais preciosos. Além disso, um dos líderes locais mostrou-se mais resistente e desconfiado em relação aos ingleses recém-chegados, não lhes dando muitas oportunidades de ser capturado e destituído de seu poder.


Sendo assim, aos poucos, os colonos que sobreviveram ao frio e à fome passaram a exigir certos direitos pois, caso contrário, não permaneceriam no país. Em um longo processo, esses colonos adquiriram direitos políticos e de propriedade, o que os incentivou a trabalhar a terra, posto que a riqueza gerada não atravessaria o oceano e lhes daria oportunidades de prosperidade.


Embora os autores afirmem que este processo deu início à construção da democracia americana como conhecemos hoje, foram feitas algumas ressalvas no grupo, pois os Estados Unidos ainda passariam por muitos percalços antes de consolidar seu regime democrático.


A história do Brasil aproxima-se mais do modelo de colonização mexicano; mesmo que, a princípio, não se tenha encontrado ouro e outros metais preciosos (o ciclo do ouro só deu início no século XVIII), havia outros recursos naturais de grande valor a serem explorados pelos portugueses, como o pau-brasil. Assim como no México, a maior parte da riqueza gerada em terras brasileiras era voltada à coroa portuguesa, de forma que não se criou incentivos para o desenvolvimento local. Mesmo quando parte do processo de colonização passou das mãos dos portugueses para os holandeses, principalmente na região do Nordeste, não houve mudanças significativas que engendrassem um processo rumo ao desenvolvimento político e econômico e o modelo de exploração continuou sendo basicamente o mesmo.

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